sexta-feira, junho 17, 2011

Give me a reason to believe.

Depois de toda aquela tempestade, comecei a limpar os cantos escuros de todo esse labirinto presente em meu peito. Apanhei os cacos de vidro, retirei os espinhos, acendi umas velas... E isso demorou bastante. O estrago que foi feito fora tão grande que sempre que eu achava que tudo estava completamente limpo, havia algo pra se consertar. Foram mais de dois anos lutando contra minha própria vontade, amando mais do que deveria, querendo quem não me queria. E foi uma guerra e tanto. Perco a conta de quantas vezes caí ensanguentada no chão úmido do castelo, procurando nas sombras um abrigo temporário. Desejei a morte com tanta veemência que achava que já estava morrendo, mas não. Logo, descobri que sou forte o bastante, que por mais que todo o mundo conspire contra mim, eu sobreviverei. Afinal, o amor é um sentimento devastador, mas não ganha para a fé. E o tempo, senhor dos senhores, acaba por fim ajudar aqueles que precisam de cura. Sei que meu castelo não está completamente limpo e impecável, mas já se tornou um lugar melhor de se viver. Criaturas do submundo tentam habitá-lo, disfarçando-se em seres angelicais, dando-me sombra debaixo de asas belas e alvas, mas não me engano. Amar novamente é um desafio tão intenso para mim que na primeira tentativa já recuo. Traumas da guerra.

Encontrei uma criatura sombria, estranha. Estava tão fraca que mal pude raciocinar. Corri por entre corredores mal iluminados, mas acabei caindo em meio aos braços do abismo. Resisti a todo o veneno, aproveitei e bebi do cálice que transbordava luxúria, como se fosse a primeira vez. Não sabia o que estava fazendo. Mas ao mesmo tempo sabia. Disse que não aceitaria ajuda de ninguém, uma vez que sozinha em minha escuridão já não sofria mais. Estava bem daquela forma. E a represália foi contrária, disse-me que queria fazer-me sua, que não havia visto um olhar tão triste mas tão encantador em todos os reinos que conheceu. - Confie em mim - disse. E pela primeira vez pude notar que um sorriso infantil lhe habitava o rosto. Algo que jamais presenciei em tão curto intervalo de tempo. Perguntas insanas vieram à minha cabeça, e como boa seguidora de Descartes, duvidei de tudo que fora dito. Deixei as palavras no ar. As letras voavam janela afora como se quisessem alcançar o céu. Ao mesmo tempo, pássaros começaram a adentrar meu peito, assim como os pingos de chuva misturados aos raios de sol, queimando deliciosamente minha pele. Mesmo assim me escondi.

Peguei-me sorrindo por entre os cantos. O rancor estava sumindo. Voltei a ouvir músicas das quais tinha medo de ouvir e me machucar, cantei com os pássaros que bicavam as migalhas em meu coração, fiquei com raiva de mim. Estava agindo feito boba novamente. Como tinha agido anos atrás, antes de toda a tempestade. Tentei não sorrir, tentei não esperar, mas talvez já fosse tarde demais. A verdade era que estava apaixonando-me de novo. Colhi as palavras no ar e as coloquei num lugar iluminado, para que todas as manhãs tivesse o privilégio de olhar e pensar: sou amada. Beloved. Estava pronta para voltar a ser o que era antes. Larguei meus medos e corri por entre as árvores, mergulhei nos lagos mais profundos, sem que nada conseguisse me atingir. Estava feliz por saber que era capaz de gostar de alguém. Mas os dias se passaram, e nunca mais pude ver tal criatura sombria. Sonhei com seu sorriso, transformando-se em algo assustador. Acordei de madrugada com o coração palpitando e a respiração ofegante, enquanto os pingos de chuva batiam no vidro da janela com violência. Senti o medo voltando.

E dessa noite para cá não tenho dormido direito. Todas as noites fico a pensar no significado do pesadelo, procurando uma resposta em meio às palavras ditas, desembaralhando e até pensando na possibilidade de um anagrama. A verdade é que sinto falta daquele sorriso, dos passos apressados me perseguindo por entre os corredores. A incerteza de sua volta me consome, me deixa febria e me enche de perguntas sem respostas. O que está acontecendo? Volte, antes que eu volte para a escuridão.


I looked away, then I looked back at you. You tried to say things that you can't undo. If I had my way, I'd never get over you. Today's the day I pray that we make it through. Make it through the fall, make it through it all... And I don't wanna fall to pieces, I just wanna sit and stare at you. I don't wanna talk about it. And I don't wanna a conversation, I just wanna cry in front of you, I don't wanna talk about it cause I'm in love with you. You're the only one I'd be with 'till the end. When I come undone you bring me back again, back under the stars, back into your arms. Wanna know who you are, wanna know where to start, I wanna know what this means. Wanna know how you feel, wanna know what is real, I wanna know everything... Everything.

Dê-me uma razão para eu acreditar que nada entre nós foi em vão.

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